Durante visita oficial a Eunápolis, na última quinta-feira (26), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, prometeu que se reuniria com familiares de Weverton Antônio dos Santos, jovem de 27 anos sequestrado e esquartejado por integrantes de uma facção criminosa atuante na cidade. A brutalidade do crime, que chocou o Brasil, escancarou as graves falhas na segurança pública do estado. No entanto, a promessa de diálogo com os familiares não foi cumprida.
O caso, que ganhou repercussão nacional, tornou-se símbolo do avanço das facções criminosas na Bahia e da fragilidade das forças de segurança diante do controle territorial imposto por grupos armados em diversas regiões do estado. Weverton desapareceu na noite de terça-feira, 13 de maio. Desde então, não deu mais notícias.
A confirmação do sequestro veio de forma trágica: a família recebeu um vídeo em que Weverton aparece sendo torturado e decapitado pelos criminosos. Desde então, seus familiares lutam por respostas — e, ao menos, pelo direito de realizar um enterro digno.
"Expusemos uma faixa cobrando ações e respostas. A equipe de segurança tentou impedir que protestássemos. Então o governador prometeu conversar comigo, mas não conversou. Direcionou o diálogo para assessores, que disseram apenas que as investigações continuam. Nada vai trazer meu filho de volta. Só queremos sepultar os restos mortais dele de forma digna", desabafou Lindinalva Ramos, mãe de Weverton.
A ausência de uma escuta direta por parte do chefe do Executivo estadual foi recebida com indignação por familiares e por setores da sociedade civil que acompanham o caso. Para muitos, a atitude reforça o distanciamento do governo em relação à dor das famílias impactadas pela violência — e pela omissão do Estado.