Nesta terça-feira (27), os familiares de dois jovens desaparecidos em Eunápolis desde setembro de 2024 voltaram a cobrar respostas das autoridades. Já se passaram 11 meses sem qualquer solução para o caso, e a sensação da família é de total abandono por parte da Polícia Civil.
“A resposta é sempre a mesma: estamos investigando e resolveremos o caso, mas se não buscarmos informações, nada acontece, eles estão parados”, desabafou um parente.
Em 2024, Eunápolis foi marcada por uma onda de desaparecimentos misteriosos e sequestros. Em alguns casos, ao menos os corpos foram encontrados; na maioria das situações, porém, não houve desfecho algum. Um exemplo ainda vivo na memória é o dos paulistas desaparecidos, cujos corpos jamais foram localizados.
Uma cidade que não se pode visitar: dois jovens de 16 e 17 anos desapareceram em Eunápolis.
Os adolescentes Daniel de Jesus Santos, de 17 anos, e Iury Pacheco dos Santos, de 16 anos, desapareceram após deixarem o distrito de Vale Verde, em Porto Seguro, com destino a Eunápolis, na sexta-feira (13 de setembro de 2024). Segundo os familiares, eles viajavam de moto e perderam contato desde então.
Câmeras de segurança registraram que, por volta das 22h daquele dia, os jovens abasteceram a moto em um posto na BR-367, próximo ao Atacadão, a cerca de três quilômetros do centro de Eunápolis.
O sistema de rastreamento de um dos celulares apontou a última localização na Estrada da Colônia, em Eunápolis, por volta da 1h da madrugada do sábado (14). Com base nessa informação, policiais militares foram até o local no domingo (15).
Na área de mata próxima ao bairro Parque das Flores, os policiais se depararam com quatro homens armados. Houve troca de tiros e o grupo conseguiu escapar pela vegetação densa. No local foram apreendidos 3,5 quilos de maconha, uma espingarda, balança de precisão e outros itens.
Apesar dessa pista relevante, desde então não houve avanço concreto nas investigações. A família afirma que a polícia e a justiça permanecem inertes, sem apresentar resultados ou sequer manter um diálogo transparente com os parentes das vítimas.