O silêncio da Justiça Eleitoral sobre o escândalo das candidaturas laranjas nas eleições municipais de 2024, em Eunápolis, tem sido combustível para as rodas de debate político em toda a cidade.
Nos últimos dias, uma das candidatas do PSD quebrou o silêncio e expôs o esquema. Segundo ela, foi montada uma verdadeira quadrilha dentro do partido local, com fraude em notas fiscais e uso direcionado de uma gráfica para desvio de recursos do fundo partidário. “Depois que o dinheiro caiu, todo o controle financeiro e emissão de notas era feito por eles. Eu apenas repassava a conta do partido, sem saber sequer o que estava sendo pago. Fui deixada sem apoio e usada apenas para sustentar o esquema”, declarou.
Dois casos em especial chamaram atenção nacional. A candidata Ritinha (PSD) recebeu R$ 60 mil do fundão eleitoral, declarou gastos de R$ 57,5 mil e obteve apenas cinco votos, o que significa um custo inacreditável de R\$ 11,5 mil por voto. Outro exemplo é o da pastora Maria Nilza, que consumiu R$ 40 mil e terminou com apenas 11 votos. Já Maíza Oliveira gastou os mesmos R\$ 40 mil para alcançar 48 votos. O padrão é claro: as candidaturas femininas serviram apenas para captar recursos e preencher a cota de gênero.
As suspeitas são graves: candidaturas de fachada, apoiadas em um esquema de empresas e escritórios de contabilidade que forjariam notas fiscais e serviços inexistentes. Entre elas, a H&H Empreendimentos, apontada como possível empresa de fachada, responsável por abocanhar sozinha mais de R$ 550 mil em contratos do PSD durante o pleito de 2024.
Nem campanhas nas ruas, nem vídeos nas redes sociais, nem engajamento digital: nada. Apenas um rastro de dinheiro público evaporado e uma Justiça Eleitoral conivente e calada diante do óbvio.