A política de Ilhéus foi sacudida nesta segunda-feira (6) pela decisão firme da Justiça Eleitoral, que cassou o mandato do vereador Márcio Bodão (Avante) por fraude à cota de gênero nas eleições de 2024. A sentença da juíza Wilma Alves Santos Vivas, da 25ª Zona Eleitoral, reconheceu a prática de candidaturas fictícias no partido, em uma clara tentativa de burlar a lei que garante 30% de vagas para mulheres.
O caso ganhou repercussão após áudios revelarem que a candidata Maria Rita Santos Teixeira, a “Mary Santos”, admitiu ter entrado na disputa apenas “para compor legenda”. A juíza, ao analisar as provas, foi categórica ao afirmar que houve uma “candidatura arranjada” e determinou a cassação dos diplomas de todos os candidatos eleitos pelo Avante, incluindo o vereador Bodão, além da recontagem dos votos e da inelegibilidade de Mary por oito anos.
Enquanto Ilhéus vê a Justiça agir com rigor e transparência, em Eunápolis o cenário é outro, e vergonhoso. Lá, os mesmos tipos de fraude seguem impunes. Candidaturas laranjas, cotas de gênero burladas, uso indevido do fundo eleitoral e toda sorte de irregularidades foram amplamente denunciadas, mas até agora não tiveram resposta alguma.
Na 203ª Zona Eleitoral, parece que a lei é apenas um enfeite de cartório. A Justiça que em outras cidades corrige distorções e faz valer o voto popular, em Eunápolis se mostra relapsa, conivente e, pior, cúmplice do desrespeito à democracia. Quando a Justiça escolhe fechar os olhos para o crime eleitoral, ela legitima a fraude e transforma a impunidade em política oficial.
Enquanto Ilhéus dá exemplo de moralidade pública, Eunápolis segue sendo o retrato daquilo que o eleitor mais repudia: a certeza de que o crime, ali, ainda compensa.