Eunápolis voltou ao centro de um escândalo político-eleitoral que já ultrapassou as fronteiras do município e ganhou repercussão nacional. O juiz eleitoral responsável pelo caso marcou para o dia 12 de março uma audiência que retoma oficialmente o processo de investigação sobre a suposta prática de crimes eleitorais envolvendo o PSD de Eunápolis, especialmente relacionados à fraude na cota de gênero e ao uso irregular de recursos do Fundo Eleitoral.
A investigação ganhou novos contornos após o surgimento de provas documentais, incluindo escrituras públicas e declarações prestadas ao Ministério Público Eleitoral, que apontam que candidaturas femininas foram utilizadas apenas de forma simbólica para cumprir a exigência legal de gênero, enquanto recursos públicos teriam sido direcionados para beneficiar candidaturas masculinas do partido.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Rita Alves da Silva, conhecida como Ritinha, candidata pelo PSD, que recebeu R$ 60 mil do Fundo Eleitoral, declarou despesas de R$ 57,5 mil, mas obteve apenas cinco votos nas urnas. O episódio passou a ser tratado por especialistas e pela imprensa como o “voto mais caro do Brasil”, com um custo estimado de R$ 11.500 por voto.
A gravidade do caso aumenta com o conteúdo de uma escritura pública registrada em cartório, na qual Ritinha afirma que:
Segundo o relato oficial, Ritinha afirma ainda que não saiu de casa para pedir votos, não fez campanha nas redes sociais, não contratou jingle, não recebeu orientação partidária e não participou efetivamente da própria campanha.
Outro caso citado no processo é o da pastora Maria Nilza, também candidata pelo PSD, que teria consumido cerca de R$ 40 mil em recursos eleitorais, encerrando o pleito com apenas 11 votos.
As denúncias foram reforçadas recentemente por Maiza Oliveira, que disputou uma vaga de vereadora pelo PSD em 2024 e concedeu entrevista ao eunanews. Pela primeira vez, Maiza quebrou o silêncio e afirmou que as candidaturas femininas foram usadas de forma deliberada para favorecer homens do partido.
“Fomos usadas como laranjas mesmo. O presidente do partido não queria mulheres como candidatas, queria favorecer os homens”, declarou.
Maiza relatou ainda que foi convidada a disputar a eleição com promessas de cargo de destaque na prefeitura e pagamento mensal durante a campanha. Confiando nas promessas, pediu exoneração do emprego que ocupava na gestão anterior, mas, segundo ela, após a vitória do prefeito, ficou sem salário, sem nomeação e sem qualquer retorno.
As declarações de Maiza reforçam os alertas feitos anteriormente por Ritinha e ampliam o conjunto de indícios de que teria havido um esquema estruturado para fraudar a cota de gênero, prática que, se confirmada, pode resultar em cassação de mandatos, anulação de votos do partido e sanções severas aos envolvidos.
Com a audiência marcada para 12 de março, a expectativa é que o processo avance de forma decisiva, colocando Eunápolis novamente sob os holofotes do país, desta vez, em meio a um dos casos mais graves de fraude eleitoral já registrados.