Bahia Violência
Dicas para se manter vivo nas cidades baianas no Carnaval 2026
Símbolos, gestos e até marcas de roupa podem representar risco em áreas dominadas por facções na Bahia
11/02/2026 13h09
Por: Direto da redação

 

O Carnaval da Bahia, especialmente em Salvador, reúne milhões de foliões e movimenta a economia do estado. Mas além da festa, especialistas em segurança e reportagens recentes alertam para um fenômeno preocupante: a apropriação de símbolos do cotidiano por facções criminosas, transformando gestos simples, marcas conhecidas e até estampas infantis em potenciais motivos de ameaça.

A recomendação é clara: em 2026, além de evitar furtos e golpes, o folião precisa estar atento também ao que veste e aos sinais que faz.

Gestos que podem custar caro

Em bairros de Salvador e da Região Metropolitana, sinais com as mãos passaram a ter conotação ligada a facções criminosas. O gesto com dois dedos pode ser associado ao Comando Vermelho (CV), enquanto três dedos podem ser interpretados como referência ao Bonde do Maluco (BDM).

O problema é que esses gestos, comuns em fotos e selfies, podem ser vistos como provocação em áreas dominadas por grupos rivais. Casos já foram registrados de ameaças e agressões motivadas apenas por sinais feitos sem intenção criminosa.

Marcas famosas viraram “códigos”

Outra situação que chama atenção é o uso de marcas esportivas. O símbolo de três listras da Adidas, por exemplo, passou a ser interpretado em algumas localidades como referência ao número três — associado a determinada facção.

Relatos apontam que pessoas já foram advertidas ou intimidadas por usarem determinadas roupas em bairros dominados por grupos rivais. A apropriação simbólica cria um clima de medo e restringe a liberdade de escolha da população.

Outros casos extremos registrados na Bahia mostram que até estampas de personagens, como o Mickey, já foram associadas a grupos criminosos em disputas territoriais no interior do estado.

Carnaval 2026: atenção além do circuito oficial

Apesar de o governo estadual divulgar reduções nos índices de furtos e roubos nos circuitos oficiais do Carnaval, a realidade fora das áreas monitoradas exige cautela. Em muitas comunidades, regras paralelas impostas pelo crime organizado influenciam o cotidiano.

O governador Jerônimo Rodrigues já declarou que “a Bahia é o estado de paz”. A frase, repetida em eventos oficiais, contrasta com a necessidade crescente de alertas informais sobre códigos simbólicos que podem colocar vidas em risco.

Dicas de segurança para o Carnaval na Bahia

O Carnaval continua sendo uma das maiores manifestações culturais do Brasil. Mas, em 2026, informação e prudência podem ser tão importantes quanto fantasia e abadá.

No meio da folia, entender o contexto local pode ser a diferença entre curtir a festa e se colocar em risco.