Enquanto o país ainda digere mais um caso de dinheiro público devolvido após denúncias de “funcionários fantasmas”, em Canavieiras o movimento político segue na contramão da indignação popular. O prefeito Paulo Carvalho decidiu apertar a mão e fortalecer laços com o deputado federal João Carlos Bacelar, justamente no momento em que o nome do parlamentar ganha destaque negativo no cenário nacional.
O acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República, que prevê a devolução de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos, caiu como uma bomba. Mas, ao que tudo indica, o impacto não foi suficiente para afastar aliados políticos. Pelo contrário: a parceria com o gestor de Canavieiras parece ganhar ainda mais corpo.
Nos bastidores, a justificativa é velha conhecida: articulação política, acesso a recursos e “força em Brasília”. Mas nas ruas, a leitura é outra. Para muitos, a aproximação soa como um recado claro de que, na política, escândalos podem até arranhar reputações, mas dificilmente quebram alianças.
A pergunta que ecoa é direta: até que ponto vale a pena caminhar ao lado de quem tenta limpar a própria imagem devolvendo dinheiro público? E mais, qual o preço político dessa escolha para Canavieiras?
Entre discursos de desenvolvimento e práticas que geram desconfiança, o eleitor assiste de camarote a mais um capítulo onde ética e conveniência disputam o protagonismo. E, como quase sempre, a conta pode chegar… nas urnas.