Canavieiras volta ao centro de uma tempestade política e administrativa. Enquanto a população enfrenta problemas estruturais e cobra melhorias nos serviços públicos, números que vieram à tona levantam sérias dúvidas sobre a gestão dos recursos municipais.
Segundo informações divulgadas e já analisadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), foram identificados R$ 630.272,50 em serviços executados sem a devida formalização contratual, além de R$ 113.610,00 pagos sem documentação comprobatória adequada. O órgão também apontou um suposto superfaturamento de R$ 161.844,12 decorrente de reajustes considerados indevidos.
Somados, os valores questionados se aproximam de R$ 906 mil, montante que hoje está sob investigação dos órgãos de controle e do Ministério Público.
O caso se torna ainda mais grave porque o contrato investigado envolvia a locação de veículos e máquinas pesadas, com valor global superior a R$ 2,3 milhões. Em decisão anterior, o TCM determinou ressarcimento de R$ 275.454,12 aos cofres públicos e aplicou multa ao gestor responsável pelos atos analisados.
A nova denúncia envolvendo possíveis aluguéis de veículos acima dos valores praticados no mercado e atrasos na publicação de informações obrigatórias reforça a sensação de que a transparência administrativa está longe de ser uma realidade em Canavieiras.
A pergunta que ecoa pelas ruas da cidade é simples:
Como uma prefeitura encontra dinheiro para contratos milionários, mas não consegue afastar suspeitas, responder questionamentos e garantir total transparência à população?
O povo de Canavieiras merece respostas. Merece saber onde cada centavo está sendo aplicado. Merece uma administração que trate o dinheiro público com o mesmo cuidado que o trabalhador trata o salário que leva para casa.
Quando contratos geram suspeitas, quando documentos faltam e quando os números não fecham, a confiança da população é a primeira vítima.