Bahia Eleição 2026
Carletto chegará ao Senado sem enfrentar os caciques: coragem para assumir, medo de disputar
Afinal, Ronaldo Carletto está jogando xadrez político ou apenas esperando os adversários levantarem da mesa?
26/10/2026 09h07 Atualizada há 3 horas
Por: Direto da redação

 

Na política, há quem entre em campo para disputar o jogo. Outros preferem ficar na beira do gramado, esperando que os titulares saiam para ocupar a vaga sem precisar dividir a bola com ninguém. Ronaldo Carletto, líder um atalho para buscar uma cadeira no Senado: em vez de enfrentar diretamente Rui Costa e Jaques Wagner, apostou na possibilidade de que o próprio cenário político abrisse caminho para sua chegada. E deu certo!

 Rui Costa deverá reassumir um ministério do governo federal, e causará uma mudança na composição do Senado beneficiando Carletto. Se isso acontecer, o Extremo Sul da Bahia poderá conquistar uma representação histórica na Casa. Um fato potencialmente positivo para a região, mas que não impede uma pergunta incômoda sobre o protagonista dessa movimentação.

Afinal, Ronaldo Carletto está jogando xadrez político ou apenas esperando os adversários levantarem da mesa?

É inegável que a política exige articulação, paciência e capacidade de construir alianças. Mas existe uma linha tênue entre agir com inteligência e evitar sistematicamente o confronto com quem detém o poder. E é justamente nessa fronteira que a trajetória de Carletto está!

Ao evitar uma disputa direta com dois dos principais caciques da política baiana, Carletto preserva suas relações e mantém aberta a possibilidade de chegar ao Senado sem precisar medir forças com eles nas urnas. Conveniente? Sem dúvida. Mas também é uma escolha que alimenta a ironia: para quem deseja ocupar uma cadeira tão importante, parece faltar disposição para disputar o assento enquanto seus atuais ocupantes ainda estão na sala.

Seria medo de enfrentar os caciques, prudência calculada ou submissão ao grupo político? A pergunta é inevitável. Afinal, quem pretende chegar ao topo precisa demonstrar mais do que habilidade para circular nos bastidores. Precisa mostrar que tem autonomia para disputar espaço, inclusive quando isso significa contrariar interesses de aliados poderosos.

Carletto pode chamar isso de articulação. Seus críticos podem enxergar receio, dependência política ou excesso de cautela. A diferença está na interpretação.