
O Carnaval da Bahia, especialmente em Salvador, reúne milhões de foliões e movimenta a economia do estado. Mas além da festa, especialistas em segurança e reportagens recentes alertam para um fenômeno preocupante: a apropriação de símbolos do cotidiano por facções criminosas, transformando gestos simples, marcas conhecidas e até estampas infantis em potenciais motivos de ameaça.
A recomendação é clara: em 2026, além de evitar furtos e golpes, o folião precisa estar atento também ao que veste e aos sinais que faz.
Em bairros de Salvador e da Região Metropolitana, sinais com as mãos passaram a ter conotação ligada a facções criminosas. O gesto com dois dedos pode ser associado ao Comando Vermelho (CV), enquanto três dedos podem ser interpretados como referência ao Bonde do Maluco (BDM).
O problema é que esses gestos, comuns em fotos e selfies, podem ser vistos como provocação em áreas dominadas por grupos rivais. Casos já foram registrados de ameaças e agressões motivadas apenas por sinais feitos sem intenção criminosa.
Outra situação que chama atenção é o uso de marcas esportivas. O símbolo de três listras da Adidas, por exemplo, passou a ser interpretado em algumas localidades como referência ao número três — associado a determinada facção.
Relatos apontam que pessoas já foram advertidas ou intimidadas por usarem determinadas roupas em bairros dominados por grupos rivais. A apropriação simbólica cria um clima de medo e restringe a liberdade de escolha da população.
Outros casos extremos registrados na Bahia mostram que até estampas de personagens, como o Mickey, já foram associadas a grupos criminosos em disputas territoriais no interior do estado.
Apesar de o governo estadual divulgar reduções nos índices de furtos e roubos nos circuitos oficiais do Carnaval, a realidade fora das áreas monitoradas exige cautela. Em muitas comunidades, regras paralelas impostas pelo crime organizado influenciam o cotidiano.
O governador Jerônimo Rodrigues já declarou que “a Bahia é o estado de paz”. A frase, repetida em eventos oficiais, contrasta com a necessidade crescente de alertas informais sobre códigos simbólicos que podem colocar vidas em risco.
Evite fazer gestos com dois ou três dedos em fotos ou vídeos, principalmente em áreas desconhecidas.
Tenha cautela ao usar roupas com símbolos que possam ser interpretados como referência numérica.
Prefira circular nos circuitos oficiais e áreas com forte presença policial.
Evite entrar em bairros que você não conhece durante a madrugada.
Em caso de intimidação, não confronte — procure sair do local com calma.
O Carnaval continua sendo uma das maiores manifestações culturais do Brasil. Mas, em 2026, informação e prudência podem ser tão importantes quanto fantasia e abadá.
No meio da folia, entender o contexto local pode ser a diferença entre curtir a festa e se colocar em risco.
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